O que a psicanálise pode te ensinar sobre o amor?

“Nós nunca somos tão desamparadamente infelizes como quando perdemos um amor”. Essa é uma das frases mais conhecidas de Sigmund Freud sobre o amor, em parte porque ela não traz consigo nenhum conceito complexo, aproximando-se do ouvinte e porque, em níveis diferentes, faz sentido para todas as pessoas. Afinal, quem nunca sofreu por um amor?

Porém, o que chama mais atenção na frase é sua capacidade de relevar a potência do sentimento mais discutido na literatura e entre todos os seres humanos ao longo da história — e, ironicamente, o que ainda gera mais dúvidas. E por ser encoberto de questões, é também fonte de grande sofrimento psíquico. Em muitos casos, o sofrimento é tão grande que é necessário buscar ajuda de um profissional para que a pessoa possa entender melhor a origem de sua angústia e, assim, aprender a lidar com ela.

Para discutir mais sobre esse assunto, vamos falar um pouco sobre como a Psicanálise interpreta o amor. Confira!

Como o amor é visto pela Psicanálise?

A abordagem de Freud sobre o amor é bastante complexa e envolve diversos ângulos de análise desse sentimento. Para ele, o amor acontece quando há um investimento da libido narcísica no outro. Isso quer dizer que o sujeito passa a enxergar o ser amado como fascinante, ideal. É por isso que quando amamos alguém, o desejo amoroso volta-se todo para aquela pessoa.

O nascimento do amor ou as causas dele são, para Freud, uma condição atrelada a aspectos individuais. Ou seja, o amor nasce de formas diferentes, levando em consideração a memória do sujeito e, consequentemente, aspectos de sua subjetividade. Durante um processo de análise psicanalítica, a pessoa pode descobrir ou entender melhor quais fatos de sua história estão ligados às causas que o levam a amar.

A diferença entre amor e paixão

Os dois sentimentos, embora próximos, são distintos também na área psicanalítica, que distingue a paixão ao afirmar que esta prevê um processo de desvalorização do eu do sujeito que ama. Tal fato explica a euforia que a paixão causa nas pessoas, levando-as, muitas vezes, a atos que não fariam normalmente.

Contudo, os dois sentimentos apresentam aspectos em comum: promovem o estabelecimento de um elo de um sujeito com o outro e seu rompimento causa sofrimento (cada um com proporções específicas).

O amor funciona de maneira diferente para o homem e para mulher?

Vivemos em uma época em que os estereótipos em relação à posição do homem e da mulher estão cada vez mais diluídos. Mesmo assim, nossa sociedade, desde seus primórdios, é patriarcal e isso implica (e ainda vai implicar por muito tempo) em aspectos generalizados socioculturais sobre homens e mulheres. Por exemplo, espera-se que a postura de um homem seja forte e viril, e de uma mulher seja frágil e submissa.

É importante ressaltar isso, pois esse cenário influencia diretamente no modo como os homens e as mulheres lidam com o amor.

No caso do homem, nota-se uma maior dificuldade para lidar com o amor, pois o sentimento representa para ele uma dependência que pode afetar sua posição dominante, de macho alfa. As mulheres, por sua vez, tendem a procurar um homem que desejam e estabelecer com ele uma relação duradoura. Além disso, são mais ligadas a fantasias (muitas mulheres só conseguem amar ou gozar por meio da imaginação).

Mas, como já dissemos, esses papéis estão em xeque atualmente e em um consultório psicanalítico cada paciente é encarado como único, independentemente do gênero, e só por meio de sua fala e observação que acontecerá o processo de análise.

E você, já amou alguém de forma que não conseguisse imaginar sua vida sem aquela pessoa? Ou já passou por um processo de sofrer por um amor muito forte? Conte-nos sua experiência e vamos continuar a conversa!