Saiba quem foi Bion e conheça sua contribuição para a psicanálise

Wilfred Bion nasceu na cidade de Muttra, na Índia, em 1897. Filho de pais britânicos, foi enviado à Inglaterra aos 8 anos para estudar, alistou-se no exército aos 19 e saiu após a Primeira Guerra para ingressar na universidade de Oxford. Lá estudou História, Filosofia, Teologia e licenciou-se em Letras. Após entrar em contato com as obras de Freud, resolveu cursar medicina e formou-se aos 33 anos.

Bion começou a estudar psicanálise durante um período de 2 anos como trainee do psicanalista inglês John Rickmann, e mais tarde foi supervisionado por Melanie Klein. Durante a Segunda Guerra Mundial, dedicou bastante tempo na análise de grupos e essa experiência lhe rendeu algumas obras — Intra-group tensions in therapy, Leaderless group Project e Group dynamics: a review. Bion abandonou as pesquisas nessa área para se dedicar a psicanálise, ingressou na Sociedade Britânica de Psicanálise e foi presidente da associação entre os anos de 1956 e 1962.

No final dos anos 1960, as ideias de Bion não batiam com as dos demais psicanalistas da Sociedade Britânica e essas divergências fizeram com que o médico se mudasse para Los Angeles, mas enfrentou nos Estados Unidos o mesmo impasse que encarou em Londres. Bion, então, decidiu viajar o mundo divulgando suas ideias em palestras e conferências, passando pelo Brasil durante a década de 1970.

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Teoria de grupos

Segundo a teoria de Bion, cada grupo possui uma atividade mental que tem dois níveis de funcionamento: o consciente e o inconsciente. O primeiro é racional e conduzido por meio do princípio da realidade. Já o segundo é mais emocional e funciona por intermédio do princípio do prazer, ou seja, o grupo é orientado a evitar atividades que desagradam.

Há ainda a mentalidade grupal, que nada mais é do que a atividade mental desenvolvida no interior do grupo através da contribuição de cada indivíduo. É importante ressaltar, no entanto, que a mentalidade grupal não é a soma da mentalidade dos indivíduos, mas a equivalência entre elas. Na prática, isso significa que os membros se unem em função de objetivos comuns e estabelecem relações de semelhança.

Os grupos simbolizam ainda o sentimento de pertencer a uma família e esse pertencimento gera reações regressivas de busca e perda de afeto: dependência, luta, fuga e acasalamento.

Teoria do Pensar

Bion defendia que o pensar surge como uma saída para lidar com a frustração. Segundo o psicanalista, se o ódio resultante da situação de desapontamento for menor do que a capacidade do ego de suportá-lo, será uma forma sadia de desenvolver o pensamento por meio do que Bion chamou de “função alfa”. Porém, se o ódio for excessivo, protopensamentos denominados por Bion de “elementos beta” encontrarão uma saída e se transformarão em agitação motora e somatização do ódio.

Os elementos beta — Bion chamou também de “pantalha beta” — se espalham de forma caótica e não permitem a distinção entre consciente e inconsciente ou entre fantasia e realidade. O psicanalista mostrou ainda que as pantalhas betas dominam os pacientes psicóticos e que o pensamento nesses indivíduos adquirem uma dureza capaz de gerar danos reais àquela pessoa.

Bion e a psicanálise

Além da teoria de grupos e do pensar, Bion também marcou a sua contribuição para a prática da psicanálise. Ele ampliou o conceito de memória e desejo e recomendou que a postura do analista diante do paciente fosse de alguém que abrisse mão desses elementos, inclusive do desejo de curar o paciente, e entrasse no consultório sem as lembranças da sessão anterior.

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